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terça-feira, 15 de julho de 2014

Era tudo tão difícil e fácil!



Não, eu não estou bipolar, acredite...

Fiquei uns tempos sem escrever aqui né? É esse facebook, gasto minha cota de redação por lá e hoje bem cedo "passeando" pela minha linha do tempo fui presenteado por essa postagem que uma amiga de lá, a Marina Carrieri, fez.

A Marina ainda mora no Brás numa casa que mantém o mesmo jeito de quando eu era criança, a mãe dela é uma das "Mamas de S. Vito" e vende aquelas delicias de comidas que minha avó fazia. Aquela viela onde quase não consigo manobrar o carro pra voltar pois é sem saída funciona pra mim como uma espécie de ponto de contato com aqueles tempos de infância. Ir lá, em geral às sextas feiras, comprar algumas guloseimas típicas de Polignano me faz bem, revivo uma época, resgato aromas e sabores,, posso dizer que relembro minha infância como se estivesse lá naquele tempo uma espécie de um Kairós me permitindo revisitar aqueles dias e lugares

E é sobre isso que senti vontade de escrever.

Lá pelo minuto 18 desse filme aparecem umas imagens de festas juninas com bandeirinhas, fogueiras e as pessoas sentadas na rua assistindo crianças dançarem a quadrilha, tudo muito simples e todo mundo bem juntinho como que pra espantar o frio.

Bate uma saudade daquele tempo e daquela forma de viver em comunidade, as pessoas ajudavam umas às outras, eram famílias de imigrantes italianos em terras estranhas tentando uma vida nova, essa origem comum trazia uma cumplicidade um "eu te ajudo hoje e você me salva amanhã". Na verdade ali já se vivia uma das mais autenticas redes: eu tenho carro e levo sua esposa pra maternidade e um outro me empresta a casa de praia e outro me socorre em tempos difíceis.

Pra dar uma ideia de como a solidariedade era forte, quando morria alguém enquanto a família estava no velório umas senhoras iam para a casa do falecido e preparavam uma refeição (não sei se era padrão mas lembro de sempre ter uma canja bem quentinha, salada de tomates com alface e bife à milanesa) e esperavam pra servir o jantar ou almoço aos exaustos. Eu acho sensacional um cuidado assim, só quem sentiu esse abatimento sabe o valor desse gesto de carinho e apoio.

Mas voltando la para as cadeiras nas ruas, como era divertido isso! Nem precisava de novelas e televisão, que aliás nem todas as casas tinham e os televizinhos eram parte desse menu de gentilezas mutuas.

E quando a minha família se reunia eram os homens na copa jogando buraco e as mulheres na cozinha preparando um monte de comidas deliciosas!

Um dia desses conversando com um pastor amigo meu ele me fez ver: Deus está nesse tipo de lugar, pra dizer a verdade essa pra mim é a forma mais próxima de igreja primitiva, como descrito no livro de atos dos apóstolos, ali se praticava um "amai-vos uns aos outros" menos preocupados em bajular que muito tem, sem esperar nada em troca e sem medo de se entregar pois se vivia um tempo onde pessoas eram respeitadas e relacionamentos eram preservados, não se tinha muito a oferecer se vivia com simplicidade e é por isso que achei bacana o titulo:

Era tudo tão difícil e fácil...

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Rolezinhos... preocupante!

Porque os "Rolezinhos" andam assustando e preocupando tanto?

O que tem feito tantos jovens saírem rumo a um endereço combinado?

Isso tem a ver com junho/13?


A tensão provocada pela diferença abissal entre os que REteem as riquezas e os rejeitados anda provocando panico nos que estão no meio disso sem nada poder fazer!

Eu explico:

Os "rolezinhos" são a forma de confrontar e desafiar os supostos privilegiados em seus passeios pelos shoppings ... mas quem são essas pessoas que por lá andam mais do que compram? Seriam os verdadeiros responsáveis por tantas diferenças? Alguns pouquíssimos até podem ser, mas a maior parte, além de não ser responsável, é tão massacrada quanto os "momentâneos opressores rolezistas"! Sim porque a maioria dos mortais que se dispõem a passear num shopping num domingo à tarde não deve andar nadando em dinheiro ou ter condições de ir a uma praia ou fazer algo mais interessante do que matar tempo "no templo" não?

Os que provocam a situação estão em seus palácios e se transportam em helicópteros e aviões (muitas vezes pagos pelo erário publico) e não estão nem ai com NINGUÉM.... eu disse NINGUÉM tudo em maiúsculo, gritando!

A gozação desses caras é tamanha que tem um recebendo "arrecadações pra cobrir a multa" pela internet e dizem já ter conseguido perto de 500k de contribuição... ninguém pensa em "dinheiro sendo esquentado"?... ação entre amigos para mostrar força e uma popularidade promovida pelos bolsas tudo?

Me parece que a estratégia de infiltrar blackalgumacoisa nesses casos é inviável e ai o confronto se torna inevitável e tal qual num coliseu as bestas se enfrentam e os poderosos riem.... riem muito.... se divertem!

Sim se divertem, por que se assim não fosse poderiam repatriar um pouco do dinheiro e da dignidade roubada desses coitados que se hostilizam parte a parte como atores de uma grande comédia...

Mas não da né? Afinal se esse bando de idiotas resolver fazer amizade podem até descobrir que alguns carros e casas de um luxosinho raso não são os verdadeiros causadores de tamanha diferença e descontentamento!

Não devemos nos iludir, um dono de empresa gera empregos sem roubar ninguém, o lojista, o trabalhador, o policial.... você!

SOMOS TODOS MANIPULADOS!!!

Beijos e abraços a tod@s!



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Crente! To Fora!!!

O camarada é um tremendo mala, bala perdida, só faz bobagem, da nó em todo mundo, rouba tempo, não devolve troco errado, liga do celular dizendo que está chegando e demora meia hora, pede dinheiro emprestado e não devolve, vive mentindo .... enfim 1 7 1 !
Num belo dia resolve atender o convite de uma dessas "igrejas" que vendem bençãos (e são essas que estão na mídia pois compram horários com as montanhas de dinheiro arrecadadas) e depois de cumprir alguns rituais ali ensinados sai por ai dizendo:
Sou crente! Me converti e agora sou nova criatura, fui sarado, lavado e remido e um montão de frases feitas.
Acontece que a essência não mudou, o individuo está todinho lá! Continua como um sepulcro caiado, só que agora a culpa de todas as bobagens e sacanagens praticadas é do "inimigo".
Eis que o "santo" sai por aí dando maus (ou péssimos?) exemplos: compra e não paga ou pior, compra no cartão já sabendo que não vai pagar, sacaneia todo mundo, oprime a família, mas todo domingo VAI à igreja (a igreja dele não é o coração e sim um templo) e lá, bem ... eis um homem exemplar, sorridente, manso, irmão pra cá, amado pra lá, se o sermão for corretivo não é com ele, enfim varão ou varoa valoros@!
Agora na posse deste novo status sai por ai, dedo na cara de todo mundo, convidando: vem pra minha igreja, lá é o lugar, comprei até carro importado, abri meu próprio negócio e por ai vai. A igreja desse santo é um templo onde se vai "assistir" o culto, nada de um coração ensinável que cultua a Deus o tempo todo.. Templo do Espirito Santo... o que é isso?
Cidadão exemplar agora carimba todo mundo: não pode isso, não pode aquilo, vai ficar fora da cobertura do pastor, não foi ao culto vai pro inferno, tem que ir NA igreja, eu não faço nada errado (perto dos "ermãos") e se fizer é bom que se diga: não sou eu são as ciladas do inferno tentando me pegar!!!
Boa parte desses "crentes" frequentam igrejas "pastorcentricas" ou "umbigocentricas" e uma vez ou outra "Cristocentricas", praticam um cristianismo de gabinete, não resistem a nenhuma pressão, base bíblica zero, sequer conhecem o significado da palavra evangelho, julgadores, desconhecem ou quase sentimentos como amor ou atitudes como perdão.
Enfim, quanta anti-propaganda na tentativa de ser propaganda de Deus que não precisa de nada disso!....
Será que isso faz parte do jogo?
Abraços a tod@s
by Victor

sábado, 17 de dezembro de 2011

Natal da Assunção 69

Como era deliciosa essa época de festas naquela casa!
Os preparativos começavam muito antes, minha mãe chamava o faxineiro do banco em que meu pai trabalhava para retirar as coisas guardadas no forro da casa. Aliás esse forro era para mim um mistério muito fascinante, o acesso era por uma claraboia que ficava sobre a escada de acesso à casa e atrás daquela esquadria de madeira com vidro pontilhado parece que existia um outro mundo que eu não sabia bem onde terminava ou o que era capaz de conter!
Tio Pepino enviava uma madeira grande que era colocada sobre a comoda da sala para poder ampliar o espaço onde seria montado o presépio.
Tomadas essas providencias entrava em ação minha mãe retirando uma infinidade de estatuetas e miniaturas de casinhas e outros objetos que comporiam aquele cenário e usando uns papéis que imitavam pedras começava a aparecer uma "Belém" rica em detalhes: os espelhos com pedrinhas em volta faziam surgir laguinhos onde os patinhos ganhavam personalidade como se estivessem nadando de verdade, as casinhas nas montanhas com luzinhas dentro sugerindo, pelo menos em minhas fantasias, a existência de famílias habitando aqueles remotos lugares, as dezenas de animais sobre a serragem e é claro a cena central do menino Jesus na manjedoura admirado pelos pais e pelos reis magos levando seus presentes.
Terminada essa montagem (em geral durava uns dois dias) era a vez da arvore de natal toda adornada com enfeites coloridos e espelhados meticulosamente arrumados em seus devidos lugares ... que vontade eu sentia de entrar naquelas bolas para ver tudo daquela cor! Mas a operação só  estaria concluída quando uma "enorme" bola vermelha era dependurada na saída do corredor para a sala.
Pronto agora podíamos esperar o papai noel e enquanto isso receber as cestas de natal que meu pai ganhava dos cerealistas clientes do banco. O aroma daquela palha usada para proteger as garrafas de bebidas im portadas e outras latas e vidros era inconfundível, até hoje sinto esse perfume! De onde viriam tantas coisas coloridas e bonitas que iam saindo de dentro daquelas fabricas de sonhos? Por que meu pai era tão importante? Papai Noel atenderia meus pedidos? Quantas perguntas na cabeça daquele menino de cinco ou seis anos...
Agora era tempo de curtir aquela espera até a missa do galo que íamos assistir na igreja da rua Tenente Azevedo ao lado da casa do tio Vito logo após as comemorações do aniversario da minha prima Mariana Cristina. Essa rua tinha uma outra particularidade muito incrível, uma fabrica de estatuetas de presépio da qual eu não cansava de respirar um aroma de tinta delicioso ( acho que tintas não são tóxicas para crianças, rs).
Voltando da missa era hora de deitar e ficar bem quietinho tentando permanecer acordado para ver o papai noel, mas que droga sempre pegava no sono antes do velhinho chegar, e dali a algumas horas acordar e correr para o presépio ver os presentes depositados perto dos sapatinhos deixados lá.
Uma excitação tomava conta de nós e brincávamos sem cansar até que fosse colocada a mesa de almoço imensa, ocupando a sala toda, onde sentariam as famílias que se reuniam em torno da matriarca daquele clã: minha avó Anastácia ... todos a estimavam e respeitavam, grande figura era ela!
Terminada aquela maratona gastronômica que incluía uma disputa entre meus tios para degustar os olhos dos animais assados as mulheres iam para cozinha lavar a louça e conversar enquanto os homens jogavam buraco até chegar a hora do jogo de tombola que durava até que a fome (ou gula?) nos levasse a comer o capeletti in brodo seguido de carnes requentadas, frutas secas e doces italianos deliciosos.
Deve ser por isso que me sinto tão feliz com a chegada dessa época de festas.
Deus me permita lembrar do verdadeiro homenageado dessa data!
Feliz natal a tod@s!

domingo, 7 de agosto de 2011

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada

ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios
nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes –
O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê
(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum


Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram
adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente
grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao
mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das
habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações.
Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia,
despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o
mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a
fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito,
porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da
felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente
em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à
tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo
tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem
prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho
uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe
complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem,
seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque
obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a
“injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que
ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante,
desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no
mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a
cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o
mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para
os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um
questionamento importante para quem está educando uma criança ou um
adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a
felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia
de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que
fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os
perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem
devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso
pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que
os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas
básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas
faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar
dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas
capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade.
O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é
esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo
parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara
que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular
de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais.
Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda
precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem
esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver
sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e,
como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que
deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de
que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí
esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de
mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes
prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que
sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas,
mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem
imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém,
por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais
e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos
dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça
desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é
complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas
quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no
confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais
vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da
confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se
a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que
os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem
considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação
de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida,
que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo,
porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar
construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está
disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e
reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala
com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que
não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o
cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro
de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem
– e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais
e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno
se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a
relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a
exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que
estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a
possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é
uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos
objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os
pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos
simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso
criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma
vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma
grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros
anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida
em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais
rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que
paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas
imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que
precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim,
assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é
complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou
superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a
própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem
nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder
pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente
grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante
quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez
em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas
essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como
ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com
medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando
descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa
dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o
trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência.
É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada
que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho
merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar
choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu
espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem
de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para
descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque
eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas
vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua
desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna
menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não
perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.



Bela análise!

Abs e Bjs

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O BRASIL NÃO TEM GUERRA NÉ? A ... TÁ!

Acordei hoje ouvindo no radio q se encontra em estado grave um jovem q foi atropelado por um Land Rover blindado dirigido por uma moça alcoolizada.
Eu como pai tenho uma tendencia a enxergar meus filhos na situação e isso por um lado tenderia a me irar contra o agressor mas ao mesmo tempo me faz ser mais piedoso também e invariavelmente, diante de um caso de desvio de comportamento como esse, me coloco a analisar o contexto social no qual vivemos e tentar obter resposta a algumas perguntas:
- será q isso acontece por ser são paulo tão grande e "anonimante"?
- andar num carro carissimo blindado é o certo ou a exeção?
- o jovem q assalta é o verdadeiro bandido, ou os que o levaram a aquela condição por suas ganancias seriam os reais culpados?
- um homem acumular fortunas q serviriam a tres ou quatro gerações (mesmo q por meio de trabalho honesto) está correto?
- e juntar para 20 gerações através de corrupção?
- uma classe dominante q retem a maior parte do dinheiro de um pais deixando a menor para ser dividida pela grande maioria não gera desequilibrio?
- a classe média q não pode ter carros blindados e é invadida literalmente por assaltantes deve pagar a conta?
- Por q um jovem filho de uma familia bem sucedida acaba caindo nas drogas?
- Estamos praticando minimamente o AMAR de forma incondiciuonal nas familias?
- Está certo pais separados em muitos casos incitarem filhos contra o (a) ex?
- Dinheiro substitui o tempo de convivio?
- a geração Y vai conseguir obedecer a geração Y?
- antigamente, quando não havia tanta violencia, existiam pessoas bem de vida e até ricas?
- estas pessoas viviam sendo açoitadas ou temendo ser?
Bem... é inevitável, acabo lembrando do livro de Jó no trecho em q ao ser perguntado de onde vinha, satanás respondeu: de rodear pela Terra...
Por mais q eu tente não enxergo outra saida ... só crendo q Deus nos livra da p/ acalmarmos nossos temores e dormir à noite!
Abs e Bjs a tod@s
Victor

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sejamos cautelosos com julgamentos

Tenho acompanhado há mais de 10 anos as ministrações do pastor Ricardo Gondim, lider da igreja Betesda e além de ter aprendido muito com ele me sinto em condições de entrar em defesa desse cidadão que tem lutado bravamente contra uma "pseudo igreja" que tenta dominar as massas através da diminuição do tamanho de Deus. Querem diminui-lO ao ponto de conseguirem entender algo que não se pode concientizar e sim SENTIR que é o seu poder. Ouço orações pelas radios que mais parecem ameaças de tanta arrogancia contida nas palavras desses pseudo homens de Deus, ou senão é a linha do peço fazendo vóz de choro como crianças mimadas querendo impressionar seus pais!
Ricardo Gondim é amigo pesoal e parceiro em idéias e ideais de  Ed René Kiwitz, lider da Igreja Batista da Agua Branca da qual sou membro; sobre o qual já perdi a conta de quantas vezes ouvi e aprendi de Deus com seus sermões. Ambos me ajudaram a ampliar uma visão mais sistemica sobre as promessas da biblia e sobre como não se deve retirar os textos de contextos para criar pretextos. Devo boa parte de minha maturidade espiritual a um certo ceticismo que com eles aprendi, sem prejuizo à minha fé, é bom que se diga.

Hoje recebi um link sobre uma entrevista que Ricardo Gondim deu à revista Carta Capital recentemente, a qual transcrevo a seguir e não aguentei permanecer calado sobre o tema:

Aos 57 anos, pastor há 34, Gondim é líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista. E tornou-se um dos mais populares críticos do mainstream evangélico, o que o transformou em alvo. “Sou o herege da vez”, diz na entrevista a seguir.

Carta Capital: Os evangélicos tiveram papel importante nas últimas eleições. O Brasil está se tornando um país mais influenciável pelo discurso desse movimento?
RG: Sim, mesmo porque, é notório o crescimento no número de evangélicos. Mas é importante fazer uma ponderação qualitativa. Quanto mais cresce, mais o movimento evangélico também se deixa influenciar. O rigor doutrinário e os valores típicos dos pequenos grupos de dispersam, e os evangélicos ficam mais próximos do perfil religioso típico do brasileiro.

CC: Como o senhor define esse perfil?
RG: Extremamente eclético e ecumênico. Pela primeira vez, temos evangélicos que pertencem também a comunidades católicas ou espíritas. Já se fala em um “evangelicalismo popular”, nos modelos do catolicismo popular, e em evangélicos não praticantes, o que não existia até pouco tempo atrás. O movimento cresce, mas perde força. E por isso tem de eleger alguns temas que lhe assegurem uma identidade. Nos Estados Unidos, a igreja se apega a três assuntos: aborto, homossexualidade e a influência islâmica no mundo. No Brasil, não é diferente. Existe um conservadorismo extremo nessas áreas, mas um relaxamento em outras. Há aberrações éticas enormes.

O senhor escreveu um artigo intitulado “Deus nos Livre de um Brasil Evangélico”. Por que um pastor evangélico afirma isso?
Porque esse projeto impõe não só a espiritualidade, mas toda a cultura, estética e cosmovisão do mundo evangélico, o que não é de nenhum modo desejável. Seria a talebanização do Brasil. Precisamos da diversidade cultural e religiosa. O movimento evangélico se expande com a proposta de ser a maioria, para poder cada vez mais definir o rumo das eleições e, quem sabe, escolher o presidente da República. Isso fica muito claro no projeto da igreja Universal. O objetivo de ter o pastor no Congresso, nas instâncias de poder, pode facilitar a expansão da igreja. E, nesse sentido, o movimento é maquiavélico. Se é para salvar o Brasil da perdição, os fins justificam os meios.

O movimento americano é a grande inspiração para os evangélicos no Brasil?
O movimento brasileiro é filho direto do fundamentalismo norte-americano. Os Estados Unidos exportam seu american way of life de várias maneiras, e a igreja evangélica é uma das principais. As lideranças daqui leem basicamente os autores norte-americanos e neles buscam toda a sua espiritualidade, teologia e normatização comportamental. A igreja americana é pragmática, gerencial, o que é muito próprio daquela cultura. Funciona como uma agência prestadora de serviços religiosos. de cura, libertação, prosperidade financeira. Em um país como o Brasil, onde quase todos nascem católicos, a igreja evangélica precisa ser extremamente ágil, pragmática e oferecer resultados para se impor. É uma lógica individualista e antiética. Um ensino muito comum nas igrejas é de que Deus abre portas de emprego para os fiéis.
Eu ensino minha comunidade a se desvincular dessa linguagem. Nós nos revoltamos quando ouvimos que algum político abriu uma porta para o apadrinhado. Por que seria diferente com Deus?
O senhor afirma que a igreja evangélica brasileira está em decadência, mas o movimento continua a crescer.
Uma igreja que, para se sustentar, precisa de campanhas cada vez mais mirabolantes, um discurso cada vez mais histriônico e promessas cada vez mais absurdas está em decadência. Se para ter a sua adesão eu preciso apelar a valores cada vez mais primitivos e sensoriais e produzir o medo do mundo mágico, transcendental, então a minha mensagem está fragilizada.

Pode-se dizer o mesmo do movimento norte-americano?
Muitos dizem que sim, apesar dos números. Há um entusiasmo crescente dos mesmos, mas uma rejeição cada vez maior dos que estão de fora. Hoje, nos Estados Unidos, uma pessoa que não tenha sido criada no meio e que tenha um mínimo de senso crítico nunca vai se aproximar dessa igreja, associada ao Bush, à intolerância em todos os sentidos, ao Tea Party, à guerra.

O senhor é a favor da união civil entre homossexuais?
Sou a favor. O Brasil é uni país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros. Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossexuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou heterossexualidade.

O senhor enfrenta muita oposição de seus pares?
Muita! Fui eleito o herege da vez. Entre outras coisas, porque advogo a tese de que a teologia de um Deus títere, controlador da história, não cabe mais. Pode ter cabido na era medieval, mas não hoje. O Deus em que creio não controla, mas ama. É incompatível a existência de um Deus controlador com a liberdade humana. Se Deus é bom e onipotente, e coisas ruins acontecem., então há algo errado com esse pressuposto. Minha resposta é que Deus não está no controle. A favela, o córrego poluído, a tragédia, a guerra, não têm nada a ver com Deus. Concordo muito com Simone Weil, uma judia convertida ao catolicismo durante a Segunda Guerra Mundial, quando diz que o mundo só é possível pela ausência de Deus. Vivemos como se Deus não existisse, porque só assim nos tornamos cidadãos responsáveis, nos humanizamos, lutamos pela vida, pelo bem. A visão de Deus como um pai todo-poderoso, que vai me proteger, poupar, socorrer e abrir portas é infantilizadora da vida.

Mas os movimentos cristãos foram sempre na direção oposta.
Não necessariamente. Para alguns autores, a decadência do protestantismo na Europa não é, verdadeiramente, uma decadência, mas o cumprimento de seus objetivos: igrejas vazias e cidadãos cada vez mais cidadãos, mais preocupados com a questão dos direitos humanos, do bom trato da vida e do meio ambiente.


Fonte: Carta Capital


Religiosidade tende a cegar as pessoas... leiam atentamente o que ele disse! A posição é clara a favor de parar com o fingimento e deixar de ser promiscuo. Para mim promiscuidade é um pai de familia que se faz de PROBO CIDADÃO e "janta" a quem for preciso no mundo dos negócios ou ditos homens de Deus que querem redui-lO à pequenês de acatar orações agressivas e "ameaçadoras"... aparece alguém apresentando uma forma mais ampla de enxergar e de pronto a comunidade se alista em julgar e condenar! Dois homosexuais que querem morar juntos e viver uma vida reta e ética já fazem parte de nossa realidade, proibir isso se assemelha a querer proibir torcidas organizadas, é prender dentro de uma panela de pressão sentimentos que não se consegue sublimar à força.
Não estou defendendo o homsexualismo mas tento caminhar nos passos de Jesus que nunca fez assepsia de pessoas, exceto quanto a hipócritas.
Quando é que iremos parar com essas hipocrisias?
Chega de nos fingirmos de "bonzinhos"!!! Deus ve TUDO... podemos enganar a todos à nossa volta e até a nós mesmos mas não vamos enganar a Deus... esquece!
Nenhum de nós está próximo da perfeição que tentamos aparentar, vamos parar de nos enganar!
Aprendamos com o que nos trouxe Jesus e: quem não tiver pecado que atire a primeira pedra! 
Reflitam por favor...